segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Dia de Oxóssi

Postagem escrita e publicada originalmente no blog PatriciaDo :)
 
A mata estava escura
Os anjos alumiou
No meio da mata virgem
Quando o seu Oxossi chegou
Mas ele é o rei
Ele é o rei
Ele é o rei
Mas ele é o rei
Na Aruanda ele é o rei
(bis)

Oxossi é o Orixá que representa a fartura e a riqueza, seja material, seja espiritual. É o Caçador Divino, aquele que protege e provê toda a aldeia. Suas energias são a Telúrica e a Vegetal, sendo o Senhor de tudo que está acima da terra (a mata e os animais). Nos termos materiais, a caça a que se faz referência é a da subsistência, nunca retirando da Natureza além daquilo que é necessário. Oxossi é o Pai que ensina o respeito à Vida, ensina sobre o ciclo natural de existência, nascimento-criaçao-morte, da interligação de todos os seres.

A caça, em seu sentido metafísico, é a busca por conhecimento, a experiência que leva à sabedoria. E a riqueza e a prosperidade provém dessa caça, o mais antigo trabalho de subsitência conhecido do Homem. Nada é de graça, embora tudo esteja à disposição. É necessário ir atrás, buscar o que se necessita, abrir trilhas, enfrentar os perigos (a própria mente), ter paciência para encontrar o alvo, mirar e atingir. Se o alvo escapar, retornar à busca, pois se não trouxer o alimento, todos perecerão. É uma riqueza provinda do trabalho, do estudo, da persistência, da paciência em respeitar o ritmo natural de tudo. E, principalmente, se a seta errar o alvo, não esmorecer diante da aparente derrota, pois significa que para o alvo ainda não chegou a sua hora. Então é se armar novamente de novas flechas e partir de novo, para dentro da mata (seu Eu Interior) e buscar o alvo, agora inclusive, se estando munido de experiência e conhecimento do que pode funcionar ou não.

Nas lendas, Oxossi é irmão de Ogum, Senhor das Lutas e o Ferreiro Divino. Foi Ogum que forjou as armas de Oxossi e ensinou-o a caçar. Ossãe, Senhor das Folhas, Feiticeiro Divino, foi o Mestre de Oxossi, ensinando-lhe os segredos das plantas e ervas para curar os males do corpo e do espírito. Há também a lenda que diz que Oxossi é filho de Ogum e de Apaóka, Deidade de Kêtu praticamente esquecida na atualidade.

Na Umbanda, Oxossi é o Orixá regente da Terceira Linha (Vibratória), do Trono Divino do Conhecimento. Excetuando Oxalá e Yemanjá, todas as Linhas possuem dois regentes, um para o Pólo Positivo e outro para o Pólo Negativo, que nada tem a ver com conceitos de "bem" e "mal", mas sim com energia e magnetismo. Portanto, Oxossi é o regente no Pólo Positivo, enquanto a sua contraparte, Obá, é regente no Pólo Negativo, formando, assim, o equillíbrio energético: Yang e Yin; Positivo e Negativo; Dar e Receber.

Ainda na Umbanda, Oxossi é o Patrono da Linha (Legião) dos Caboclos, que se dividem em Caboclos de Pena (Índios - que se subdividem "da Mata Virgem" e "da Mata") e Caboclos Boiadeiros (que inclui, também, os Baianos e Marinheiros). Porém, isso não significa que todos os Espíritos que compõe a Legião dos Caboclos sejam da vibratória (ou Filho) de Oxossi. E os Caboclos não são apenas Espíritos de "índio brasileiro". Assim como todos os Espíritos, eles tiveram encarnações variadas ao longo dos milênios de existência, e podem ter sido desde um Filósofo grego até um Samurai. Mas, para esmiuçar esse assunto, requer uma postagem própria, à parte.

No Candomblé, Oxóssi é cultuado na Nação Kêtu, pois, segundo lendas, ele foi Rei desta Nação Yorubá - isto é, há a crença de que ele foi um homem de carne e osso. Chamado de Oba Alaketu, ele é o Senhor e Rei do Kêtu, um Estado que foi destruído no Século 18 e o seu povo vendido como escravo para o Brasil e as Antilhas - fato que salvou o culto ao Orixá Oxossi, que simplesmente desapareceu da África, sobrevivendo apenas no Brasil. Kêtu agora é apenas uma cidade da República do Benin, que outrora fora o Reino de Daomé, de onde se originou a maioria dos Orixás. A República de Benin é um país africano que faz divisas com a Nigéria e pertence à Yorubaland

No sincretismo religioso, Oxóssi é representado por São Sebastião, nos cultos afro-religiosos do Rio de Janeiro e São Paulo. Na Bahia, seu dia é comemorado em Corpus Christis, tendo uma missa especial (isso mesmo - missa!): Missa de Oxóssi, com a participação das Yalorixás (Mães-no-Santo) da Casa Branca do Engenho Velho da Federação, a Ilê Axé Iyá Nassô Oká, a primeira Casa de Candomblé fundada em Salvador, tombada pelo IPHAN como Patrimônio Histórico Brasileiro, em 1986.
No Batuque, Oxossi é o Orixá Odé, que se assemelha ao Oxossi da Umbanda. Batuque é uma religião afro-brasileira disseminada pelos escravos africanos que vieram da Costa da Guiné e da Nigéria, das Nações Jeje, Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô. O Batuque encontra-se mais no Rio Grande do Sul, espalhando-se para os países vizinhos Uruguai e Argentina. Aqui, não apenas se cultura os Orixás Yorubas, mas também dos Bantos.
No Xambá, Oxossi também é chamado de Odé. É homenageado no mês de abril. O Xambá é um candomblé difundido em Olinda, Pernambuco, mas seu culto está em vias de extinção devido, principalmente, às perseguições políticas e intolerância religiosa que se iniciou em 1920, relegando os praticantes das religiões afro-brasileiras à clandestinidade.
Em Cuba, Oxossi é Odé, na Santeria Cubana. Sincretizado com São Alberto Magno, São Norberto e  Santiago Arcanjo, da província Santiago de Cuba.
No Candomblé Bantu, Oxossi tem como referência o Inkice Kabila. A Nação Bantu é uma das maiores do Candomble, e se originou a partir de africanos de Angola e Congo. Inkice ou, na linguagem kimbundu, Nkisi é uma Deidade de mesmo patamar que o Orixá das Culturas Yorubás e do Reino de Daomé.
Resumo das atribuições ao Orixá:

DIA: 20 de janeiro (na Umbanda).

Dia da vibratória: Quinta-feira.

COR: verde (na Umbanda) - azul turqueza ou prata (no Candomblé).

AMALÁ: 7 velas verdes e 7 brancas, a mesma bebida de Ogum (cerveja clara), 7 charutos, peixe com escama de água doce ou uma moganga bem assada com milho dentro coberto com mel, fitas verde e branca. Local de entrega: na entrada da mata.

ERVAS: Malva Rosa – Mil Folhas – Sete Sangrias – Folhas de Aroeira – Folhas de fava de Quebrante – Folhas de Samambaia – Folhas de Palmeira – Folhas de Laranjeira- Erva Cidreira – Folhas de Jurema – Folhas de Maracujá – Folhas de Palmito – Folhas de Abacateiro - Alecrim - Guiné - Vence Demanda - Abre Caminho - Peregum (verde) - Taioba - Espinheira Santa - Jurema - Jureminha - Mangueira - Desata Nó - Erva de Oxossi - Erva da Jurema - Alfavaca - Caiçara - Eucalipto.

Símbolos: Ofá (arco), Damatá (flecha), Iruexin (chibata feita com crina de cavalo).

Elemento: Terra (florestas e campos cultiváveis).

Domínios: Caça, Agricultura, Alimentação e Fartura.

Pedras: Esmeralda, Amazonita, Turquesa, Quartzo Verde, Calcita Verde.

Metal: Bronze (Latão)

Saúde: Aparelho Respiratório

Planeta: Vênus

Chakra: Esplênico

Bebida : Vinho tinto (água de coco, caldo de cana, aluá)

Comidas : Axoxô – milho com fatias de coco, Frutas. Carne de caça, Taioba, Ewa – feijão fradinho torrado na panela de barro, papa de coco e frutas.

Numero: 6

Qualidade de Oxóssi:
  • Òdé (como é cultuado na Santeria Cubana e no Candomblé Kêtu)
  • Otin (fundamentado com Ogum)
  • Òdéarólé 
  • Akeran (fundamentado com Oxumarè, Ossãe e Exu)
  • Ajayipapo
  • Danadana (fundamentado com Ossãe e Exu)
  • Apáòka (como filho da Jaqueira)
  • Inlè (é o jovem, fundamentado com Yemanjá, Oxun e Oxanguyan)
  • Irinlè (principal divindade da cidade de Ilobu)
  • Ibualama (o mais velho, fundamentado com Omulu e Oxum)
  • Isambu
  • Karele
Saudação: Òké Aro!!! Arolé! (A saudação de Oxóssi, pode ser traduzida como Aquele que pode falar mais alto, ou, O importante grita mais alto, pois Okê é traduzido como grita e Arõ é uma um termo usado para designar uma pessoa importante.)

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