sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Oratório para São Jorge / Ogum

Este foi o primeirão, o primeiro oratório que fiz. Tem uns errinhos que me alertaram para manter a atenção nos detalhes, mas que foi uma ótima experiência e aprendizado. E, o que é melhor, apesar dos errinhos (que um olho treinado facilmente perceberá), ele já foi vendido a um amigo, que também acabou por encomendar os oratórios da Imaculada e da SantaAna que já apresentei aqui.

Este foi somente o primeiro... de MUITOS! E o primeiro para um novo estilo de vida para mim... porque todos nós temos direito a trabalhar sem sermos patrão ou emprega, já parafraseando o slogan da EcoSol :)

Segue um texto que escrevi no ano passado e publiquei no Blog PatriciaDo, sobre São Jorge como Ogum.

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Dia 23 se homenageia OGUM, o Orixá do Ferro e da Luta, aquele que forjou as ferramentas e legou à Humanidade, para que ela, por sua própria conta, pudesse se prover através da agricultura e da caça, criar seu próprio abrigo, se proteger e ajudar em sua evolução.
Ogum é o Dono dos Caminhos, aquele que tanto guia quanto escolta. Por sua qualidade aguerrida, é ele que impulsiona para frente, fazendo vencer os obstáculos ao enfrentá-los com coragem e cabeça erguida. Ele é a Força da Natureza que impulsiona a todos para a vida, quando nascemos e lutamos, diariamente, por nossa sobrevivência e permanência no mundo. Ogum é o Fogo da Vida, o fogo que inflama a vontade, que faz a todos levantar e seguir adiante, pois, assim como o Elemento Fogo, só há uma direção a seguir: para cima!
Pai áustero, não é do feitio de Ogum engambelar nenhum filho. É o Pai que aponta os caminhos, que pega na mão para ensinar a arar, a pescar, a caçar (no sentido metafórico). Mas sua austeridade visa sempre o bem do filho. Não é o Pai que levanta o filho caído para pôr no colo, mas sim o Pai que fica ao lado do filho caído, incentivando-o a levantar-se por si mesmo, cuidando apenas para que nenhum ato injusto o acometa e atrapalhe sua ascenção, afinal, ele é o Orixá da Lei (de Execução) e da Ordem. Ogum não dá absolutamente nada de graça, mas auxilia no que for quando vê que o filho prossegue no Bem e luta diariamente por sua própria melhoria interior.
Ogum é Pai zeloso, mas exigente. Não se comove com fraquezas, mas professoralmente mostra como vencer as demandas e impencilhos que, na maioria das vezes, foi o próprio filho que colocou em seu próprio caminho. Mas Ogum não arreda o pé, nunca! Está sempre ali, guiando, protegendo, instruindo, mesmo que não engambele, que não passe a mão na cabeça. E todo filho de Ogum sempre se levanta mais forte e mais sábio.
Ogum Yê, meu Pai amado! Obrigada por tudo, por toda a Força, por todo apoio, por todo amparo! Obrigada por exigir tanto de mim, me tornando mais criteriora em relação a tudo. Obrigada pela proteção, pela Luz e pela Fé, que se acenderam por sua interseção!
Ogum na Mitologia Yorubá
Os povos iorubanos são (ou eram) povos naturalmente guerreiros. Uma boa comparação, para melhor entendimento, é com os Romanos. A Nação Yorubá estava sempre voltada para o desbravamento, para as conquistas e dominações de territórios, por isso estavam quase sempre em lutas contra outras nações. Os Yorubás dominaram o Reino de Daomé, e assim como os Romanos fizeram com os Gregos (e outros povos), acabaram fundindo sua cultura, o que os antropólogos e historiadores chamam de Aculturação. Ao fundir as culturas, elementos de uma e de outra passaram a conviver com relativa harmonia, criando-se novas expressões culturais e novos conceitos, inclusive religiosos.
Apesar da maioria dos Orixás cultuados hoje no Brasil ser uma fusão entre as religiões yourubanas e daometanas, Ogum é um Orixá original da Mitologia Yorubá, acreditando-se, inclusive, que ele seja uma das primeiras Deidades a ser cultuada pelos yorubás, o que faz muito sentido, visto a qualidade aguerrida desse povo.
Em Yorubá, Ogum se grafa como Ògún, é o Senhor do Metais e da Guerra. Sendo o criador da fundição, forjou ferramentas e armas, ensinando os homens a cultivar alimentos, a caçar e a guerrear, tirando a Humanidade da Idade da Pedra.
Ogum no Brasil
Ogum é um orixá costumeiramente associado à guerra e ao fogo. Sendo geralmente representado sob a figura de um guerreiro, Ogum estabelece um arquétipo de luta e conquista aos que se dedicam à sua adoração. Seu grau de importância é tamanho, pois ele é o orixá que possui maior proximidade com os seres humanos depois de Exu. Conhecedor de segredos, ele sabe muito bem como fabricar os instrumentos necessários para a batalha e para o trabalho com a terra.
Por conta dessas habilidades, observamos que as várias representações dessa divindade costumam colocá-lo empunhando uma espada, uma enxada ou uma pá. De acordo com a mitologia africana, Ogum era filho do rei Odudua, fundador da cidade de Ifé. Apesar de viver os privilégios de um príncipe, Ogum era uma figura bastante inquieta e gostava muito de representar seu pai nas lutas pela conquista de novos territórios. Logo assim, ele se tornou uma divindade que inspira a constante tomada de atitudes.

Nas várias descrições que tentam falar sobre Ogum, percebemos que o mesmo aglomera um claro universo de comportamentos impulsivos e, ao mesmo tempo, pragmáticos. Ao mesmo tempo em que luta com bravura e se entrega ao amor intensamente, Ogum também é bastante reconhecido pelo seu gosto pela presença dos amigos e a alegria de viver. Apesar de ser tão temperamental como seu irmão, o orixá Exu, este não possui a mesma sagacidade e malícia.

As oferendas dedicadas a Ogum são costumeiramente organizadas durante as terças-feiras, dia em que é feita sua consagração. Praticamente todas as danças que evocam a figura deste orixá são marcadas por gestos de luta. Além disso, os alimentos que são elaborados para suas oferendas não possuem uma preparação muito complexa. No ritual jeje, Ogum é equivalente ao vodum Doçu. Já entre os praticantes do rito angola, esse mesmo orixá é conhecido como Roxo Mucumbe ou Incoce.

Em terras brasileiras, Ogum acabou sendo facilmente associado à história dos vários santos guerreiros que integram o cristianismo. Nessa situação sincrética, acabou sendo relacionado à imagem de São Jorge, principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Essa aproximação pode ser historicamente reconhecida na Guerra do Paraguai, quando vários negros participantes do conflito professaram que a vitória na Batalha de Humaitá teria sido fruto da proteção do santo que simbolizava o orixá.

Fonte: Por Rainer Sousa, Graduado em História - Equipe Brasil Escola

O Ogum no Candomblé
OGUM é o temível ORIXÁ considerado o mais guerreiro, violento e implacável de todo o Panteão. É o deus do ferro, da metalurgia e da tecnologia; protetor dos ferreiros, agricultores, caçadores, carpinteiros, escultores, sapateiros, talhadeiros, metalúrgicos, marceneiros, maquinistas, mecânicos, motoristas e de todos os profissionais que de alguma forma lidam com o ferro ou metais afins. OGUM é o ORIXÁ conquistador. ELE se fez respeitado em toda a África negra devido ao seu caráter devastador. Foram muitos os reinos que se curvaram diante do poder militar de OGUM.
OGUM é um ORIXÁ importantíssimo na África, Brasil e em Portugal. Foi OGUM quem ensinou aos homens como forjar o ferro e o aço. Ele tem um conjunto de sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda o homem a vencer a natureza.
Em todos os cantos da África negra OGUM é conhecido, pois soube conquistar cada espaço daquele continente com a sua bravura. Matou muita gente, mas matou a fome de muita gente também, por isso antes de ser temido OGUM é amado.
A Espada! Eis o braço de OGUM.
O campo de atuação de OGUM é a linha divisória entre a RAZÃO e a EMOÇÃO.
No Ketu, costuma-se dizer que OGUM é aquele que está sempre vigilante, marcial, extremamente disciplinado e sempre pronto para agir onde quer que seja chamado. Mas temos que chamar este ORIXÁ corretamente, pois ELE conhece e domina todos os caminhos e nunca se perde.
Os locais consagrados a OGUM ficam SEMPRE ao ar livre, na entrada das casas ou roças de CANDOMBLÉ.
OGUM é o ORIXÁ que sempre vence as demandas para as pessoas. Mas temos de ter muito cuidado com aquilo que pedimos para ELE. Se OGUM achar o pedido injusto, ELE se volta contra quem fez o pedido.
Fisicamente, OGUM é magro, mas com músculos e formas bem definidas. Partilha com EXÚ o gosto pelas festas e conversas infindáveis e gostam de brigas boas. Se não fizerem a sua própria briga, compram as de seus amigos e colegas.
Sexualmente Ogum é muito potente e vivia trocando constantemente de parceiras, pois têm dificuldade em se fixar a uma pessoa ou a um lugar. OGUM gosta de pisar a terra com os pés descalços. É batalhador e não mede esforços para atingir seus objetivos. E mesmo contrariando a lógica, luta insistentemente e vence.
OGUM não se prende à riqueza, o que ganha hoje, gasta amanhã. OGUM gosta mesmo é do PODER, gosta de comandar, é um líder nato.
OGUM é o que vem primeiro, é aquele que está sempre a frente...
Características: Cores e Contas: Azul forte, Vermelho e Verde.. Símbolo: Bigorna, Faca, Enxada e outras Ferramentas. Dia da Semana: Terça-Feira. Comidas: Feijoada, Vatapá, Inhame com Feijão Preto, Farofa. Saudação: Ogum Yê!
Fonte: http://www.guardiadeorixa.com/Ogum.htm
Ogum na Umbanda
Primeiro precisamos entender que quando falamos dos Oguns que baixam nos Templos de Umbanda, rodando suas espadas no ar, não são o próprio Orixá Ogum, pois o Orixá não baixa na Umbanda, muito menos são Caboclos de Ogum, os caboclos de Ogum são índios que fazem cruzamento com este Orixá.
O Povo de Ogum que baixa nos terreiros são espíritos de homens que foram ligados ao militarismo de alguma forma. Estes espíritos, por afinidades astrológicas e energéticas, que trabalham nessa linha, são Guerreiros Romanos, Gregos, Espartanos, Mouros, Gauleses, Bárbaros, Hititas, Egípcios, Malês, Sarracenos, Templários, Britânicos, Chefes Indígenas, Bedúinos, Persas, Macedônios, Chineses, Samurais, Babilônicos, enfim, são de vários países e territórios. Vamos a explicações:

Ogum Matinata: Veste Vermelho apenas, é a linha mais pura de Ogum, sando chamado por Ogum Guerreiro.

Ogum Beira-Mar: Veste Vermelho e Azul Claro, ligado as praias de Iemanjá, conhecido como o Sentinela de Maria.

Ogum de Lei (Ogum Delê): Ligado a Xangô usa Vermelho e dourado, cor de sua armadura trás uma balança nas mãos ligado a execução da justiça.

Ogum Yara : Ligado a Ibeji e Oxum, usa vermelho e Azul escuro trabalha nas nascentes dos rios.

Ogum Malê ou Malei: Ogum ligado a Oxalá,patrono das entidades do Oriente e de Cura, cuida de todos espíritos dos médicos astrais, usa Vermelho e Branco, não usa acapacete.

Ogum Megê: Serventia de Obaluae, regula os Exus, trabalha muitas vezes dentro da Calunguinha, veste Preto, Vermelho e Amarelo, usa bandeira e lança como arma,alguns usam espadas, sempre respresentado montado num cavalo branco.

Ogum Rompe-Mato: Ligado a Oxossí, cuida das entradas das matas e florestas, usa Verde escuro e Vermelho, uma espada de São Jorge na mão, alguns usam fitas na cabeça.

Ogum Sete-Espadas: Ligado a energia pura de Ogum, vibra com Ogum Matinata, usa uma espada na mão e outras seis cruzadas na capa, Usa vermelho e prata.

Ogum Sete-Ondas: Vibra com Ogum Beira-Mar, trabalha nas ondas do mar, ligado a Iemanjá. Usa Azul Royal e Vermelho, se veste com capacete de conchas.

Ogum das Pedreiras: Guarda as pedreiras de Xangô de armadura dourada e penas marrons, vibra com Ogum de Lei quase não se desloca grande executor não aceita ordens.

Ogum Caiçara: Vibra com Ogum Yara, usa Vermelho e Azul bebê, se desloca pelo templo cuida do fundo da foz dos Rios.

Ogum do Oriente: Vibra com Ogum Malê, coms ligações arábes traz um turbante, vibra com as cores vemelho, branco e dourado.

Ogum de Ronda: Trabalha com Ogum Megê trabalha nas entradas da Calunguinha, corre sua ronda a Meia-Noite.Usa Preto, Vermelho e Verde. Trás cruz de Malta no peito.

Ogum das Matas: Usa Verde e Branco são espíritos Indigênas, usam espadas e bradam muito.

Ogum Sete-Lanças : Ligado a Ogum Matinata e Sete-Espadas usa vermelho apenas,  roda cruzando o terreiro.

Ogum Sete-Mares: Ligado a Ogum Beira-Mar e Ogum Sete-Ondas, cuida dos Mares usa azul bem escuro e vermelho.

Ogum de Ouro: Trabalha com Ogum de Lei e Ogum das Pedreiras, Usa Vermelho e Amarelo. Vibra com Iansã.

Ogum Menino: Vem com Ogum Yara e Ogum Caiçara trabalha nos lajeados e barrado de corais. Usa Vermelho e Azul.

Ogum da Lua : vibra com Ogum Malê e Ogum do Oriente, trabalha nas vibrações lunares, nos campos abertos do Humaitá. Usa Vermelho e branco.

Ogum Xoroquê: Trabalha com Ogum Megê e Ogum de Ronda vibra muito com Exu, ligado a obaluae tbm, é o Ogum mais negativo. Usa Preto, Vermelho e Branco.
Ogum dos Rios: Trabalha com Ogum Rompe-Mato e Ogum das Matas usa verde Agua e vermelho apesar do nome trabalha nas Pontes.

Além desses ainda existem outros Oguns: Ogum Naruê (Trabalha na calunguinha), Ogum da Estrada (Trabalha na estrada), Ogum Rompe Folha (Trabalha na Mata) Ogum Bandeira (Trabalha no Humaitá), Ogum Gererê (Ligado a Xangô).
Fonte: http://umbandadejesus.blogspot.com.br/2012/04/ogum-na-umbanda.html

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Dia de Oxóssi

Postagem escrita e publicada originalmente no blog PatriciaDo :)
 
A mata estava escura
Os anjos alumiou
No meio da mata virgem
Quando o seu Oxossi chegou
Mas ele é o rei
Ele é o rei
Ele é o rei
Mas ele é o rei
Na Aruanda ele é o rei
(bis)

Oxossi é o Orixá que representa a fartura e a riqueza, seja material, seja espiritual. É o Caçador Divino, aquele que protege e provê toda a aldeia. Suas energias são a Telúrica e a Vegetal, sendo o Senhor de tudo que está acima da terra (a mata e os animais). Nos termos materiais, a caça a que se faz referência é a da subsistência, nunca retirando da Natureza além daquilo que é necessário. Oxossi é o Pai que ensina o respeito à Vida, ensina sobre o ciclo natural de existência, nascimento-criaçao-morte, da interligação de todos os seres.

A caça, em seu sentido metafísico, é a busca por conhecimento, a experiência que leva à sabedoria. E a riqueza e a prosperidade provém dessa caça, o mais antigo trabalho de subsitência conhecido do Homem. Nada é de graça, embora tudo esteja à disposição. É necessário ir atrás, buscar o que se necessita, abrir trilhas, enfrentar os perigos (a própria mente), ter paciência para encontrar o alvo, mirar e atingir. Se o alvo escapar, retornar à busca, pois se não trouxer o alimento, todos perecerão. É uma riqueza provinda do trabalho, do estudo, da persistência, da paciência em respeitar o ritmo natural de tudo. E, principalmente, se a seta errar o alvo, não esmorecer diante da aparente derrota, pois significa que para o alvo ainda não chegou a sua hora. Então é se armar novamente de novas flechas e partir de novo, para dentro da mata (seu Eu Interior) e buscar o alvo, agora inclusive, se estando munido de experiência e conhecimento do que pode funcionar ou não.

Nas lendas, Oxossi é irmão de Ogum, Senhor das Lutas e o Ferreiro Divino. Foi Ogum que forjou as armas de Oxossi e ensinou-o a caçar. Ossãe, Senhor das Folhas, Feiticeiro Divino, foi o Mestre de Oxossi, ensinando-lhe os segredos das plantas e ervas para curar os males do corpo e do espírito. Há também a lenda que diz que Oxossi é filho de Ogum e de Apaóka, Deidade de Kêtu praticamente esquecida na atualidade.

Na Umbanda, Oxossi é o Orixá regente da Terceira Linha (Vibratória), do Trono Divino do Conhecimento. Excetuando Oxalá e Yemanjá, todas as Linhas possuem dois regentes, um para o Pólo Positivo e outro para o Pólo Negativo, que nada tem a ver com conceitos de "bem" e "mal", mas sim com energia e magnetismo. Portanto, Oxossi é o regente no Pólo Positivo, enquanto a sua contraparte, Obá, é regente no Pólo Negativo, formando, assim, o equillíbrio energético: Yang e Yin; Positivo e Negativo; Dar e Receber.

Ainda na Umbanda, Oxossi é o Patrono da Linha (Legião) dos Caboclos, que se dividem em Caboclos de Pena (Índios - que se subdividem "da Mata Virgem" e "da Mata") e Caboclos Boiadeiros (que inclui, também, os Baianos e Marinheiros). Porém, isso não significa que todos os Espíritos que compõe a Legião dos Caboclos sejam da vibratória (ou Filho) de Oxossi. E os Caboclos não são apenas Espíritos de "índio brasileiro". Assim como todos os Espíritos, eles tiveram encarnações variadas ao longo dos milênios de existência, e podem ter sido desde um Filósofo grego até um Samurai. Mas, para esmiuçar esse assunto, requer uma postagem própria, à parte.

No Candomblé, Oxóssi é cultuado na Nação Kêtu, pois, segundo lendas, ele foi Rei desta Nação Yorubá - isto é, há a crença de que ele foi um homem de carne e osso. Chamado de Oba Alaketu, ele é o Senhor e Rei do Kêtu, um Estado que foi destruído no Século 18 e o seu povo vendido como escravo para o Brasil e as Antilhas - fato que salvou o culto ao Orixá Oxossi, que simplesmente desapareceu da África, sobrevivendo apenas no Brasil. Kêtu agora é apenas uma cidade da República do Benin, que outrora fora o Reino de Daomé, de onde se originou a maioria dos Orixás. A República de Benin é um país africano que faz divisas com a Nigéria e pertence à Yorubaland

No sincretismo religioso, Oxóssi é representado por São Sebastião, nos cultos afro-religiosos do Rio de Janeiro e São Paulo. Na Bahia, seu dia é comemorado em Corpus Christis, tendo uma missa especial (isso mesmo - missa!): Missa de Oxóssi, com a participação das Yalorixás (Mães-no-Santo) da Casa Branca do Engenho Velho da Federação, a Ilê Axé Iyá Nassô Oká, a primeira Casa de Candomblé fundada em Salvador, tombada pelo IPHAN como Patrimônio Histórico Brasileiro, em 1986.
No Batuque, Oxossi é o Orixá Odé, que se assemelha ao Oxossi da Umbanda. Batuque é uma religião afro-brasileira disseminada pelos escravos africanos que vieram da Costa da Guiné e da Nigéria, das Nações Jeje, Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô. O Batuque encontra-se mais no Rio Grande do Sul, espalhando-se para os países vizinhos Uruguai e Argentina. Aqui, não apenas se cultura os Orixás Yorubas, mas também dos Bantos.
No Xambá, Oxossi também é chamado de Odé. É homenageado no mês de abril. O Xambá é um candomblé difundido em Olinda, Pernambuco, mas seu culto está em vias de extinção devido, principalmente, às perseguições políticas e intolerância religiosa que se iniciou em 1920, relegando os praticantes das religiões afro-brasileiras à clandestinidade.
Em Cuba, Oxossi é Odé, na Santeria Cubana. Sincretizado com São Alberto Magno, São Norberto e  Santiago Arcanjo, da província Santiago de Cuba.
No Candomblé Bantu, Oxossi tem como referência o Inkice Kabila. A Nação Bantu é uma das maiores do Candomble, e se originou a partir de africanos de Angola e Congo. Inkice ou, na linguagem kimbundu, Nkisi é uma Deidade de mesmo patamar que o Orixá das Culturas Yorubás e do Reino de Daomé.
Resumo das atribuições ao Orixá:

DIA: 20 de janeiro (na Umbanda).

Dia da vibratória: Quinta-feira.

COR: verde (na Umbanda) - azul turqueza ou prata (no Candomblé).

AMALÁ: 7 velas verdes e 7 brancas, a mesma bebida de Ogum (cerveja clara), 7 charutos, peixe com escama de água doce ou uma moganga bem assada com milho dentro coberto com mel, fitas verde e branca. Local de entrega: na entrada da mata.

ERVAS: Malva Rosa – Mil Folhas – Sete Sangrias – Folhas de Aroeira – Folhas de fava de Quebrante – Folhas de Samambaia – Folhas de Palmeira – Folhas de Laranjeira- Erva Cidreira – Folhas de Jurema – Folhas de Maracujá – Folhas de Palmito – Folhas de Abacateiro - Alecrim - Guiné - Vence Demanda - Abre Caminho - Peregum (verde) - Taioba - Espinheira Santa - Jurema - Jureminha - Mangueira - Desata Nó - Erva de Oxossi - Erva da Jurema - Alfavaca - Caiçara - Eucalipto.

Símbolos: Ofá (arco), Damatá (flecha), Iruexin (chibata feita com crina de cavalo).

Elemento: Terra (florestas e campos cultiváveis).

Domínios: Caça, Agricultura, Alimentação e Fartura.

Pedras: Esmeralda, Amazonita, Turquesa, Quartzo Verde, Calcita Verde.

Metal: Bronze (Latão)

Saúde: Aparelho Respiratório

Planeta: Vênus

Chakra: Esplênico

Bebida : Vinho tinto (água de coco, caldo de cana, aluá)

Comidas : Axoxô – milho com fatias de coco, Frutas. Carne de caça, Taioba, Ewa – feijão fradinho torrado na panela de barro, papa de coco e frutas.

Numero: 6

Qualidade de Oxóssi:
  • Òdé (como é cultuado na Santeria Cubana e no Candomblé Kêtu)
  • Otin (fundamentado com Ogum)
  • Òdéarólé 
  • Akeran (fundamentado com Oxumarè, Ossãe e Exu)
  • Ajayipapo
  • Danadana (fundamentado com Ossãe e Exu)
  • Apáòka (como filho da Jaqueira)
  • Inlè (é o jovem, fundamentado com Yemanjá, Oxun e Oxanguyan)
  • Irinlè (principal divindade da cidade de Ilobu)
  • Ibualama (o mais velho, fundamentado com Omulu e Oxum)
  • Isambu
  • Karele
Saudação: Òké Aro!!! Arolé! (A saudação de Oxóssi, pode ser traduzida como Aquele que pode falar mais alto, ou, O importante grita mais alto, pois Okê é traduzido como grita e Arõ é uma um termo usado para designar uma pessoa importante.)

Dia de São Sebastião

Relicário by Chèlla Maison.
Postagem de minha autoria publicada originalmente no blog PatriciaDo :)

"Antes de ser oficial do Imperador,
Sou Soldado de Cristo."

Hoje é Dia de São Sebastião, padroeiro de diversas cidades, inclusive o Rio de Janeiro, onde é feriado.

É um Santo de grande popularidade no Brasil, tanto que é celebrado em mais de cem cidades. É venerado pela Igreja Católica, Igreja Ortodoxa e pela Umbanda, em que é sincretizado com o Orixá Oxossi.

Pela Igreja Católica, São Sebastião é celebrado a 20 de janeiro, e a Umbanda segue esse calendário. Pela Igreja Ortodoxa, sua celebração ocorre em 18 de dezembro.

É o Padroeiro dos atletas, dos soldados, da infantaria e dos arqueiros e arcabuzeiros (hoje tornados esportistas), dos entalhadores de pedra, dos mestres de tapeçaria, dos jardineiros e dos bombeiros. É também o Protetor contra a peste e outras doenças.

A história de vida e martírio de São Sebastião é duvidosa (assim como a maioria das histórias de mártires), mas é aceita por seus devotos. O próprio nome é, possivelmente, uma invenção para o Santo, pois Sebastião em grego seria "sebastós", que significa "divino", "sagrado", "reverenciado". 

Segundo os registros feitos por Jacques de Voragine, Sebastião era um soldado romano, tornado Capitão da guarda pessoal do Imperador Dioclesiano, a Guarda Pretoriana. Nasceu na Gália, atual França, na cidade de Narbônia, em 256. Foi levado pela mãe para Milão, na Itália, onde foi criado.

Sendo Cristão, embora ocultasse o fato, Sebastião aproveitou-se de sua posição de confiança para auxiliar aos Cristão perseguidos, levando-lhes alentos e evitando o pior para eles, até ser descoberto e tomado por traidor pelo imperador a quem servia. Sebastião foi condenado à morte por flechadas, mas sobreviveu ao martírio, sendo encontrado e cuidado por Irene, que futuramente também seria capturada e martirizada por ondem de Dioclesiano, durante as perseguições que ocorreram por volta do ano 300.

Curado, Sebastião decidiu afrontar o imperador, mostrando a Graça que recebera por sobreviver ao martírio que lhe foi imposto. Longe de ter se sensibilizado com tamanho milagre, Dioclesiano ordenou que o seu ex-Capitão fosse atração do Circo de Roma, onde ele seria espancado até a morte, que ocorreu em 20 de janeiro de 288.

Durante a sua curta existência (apenas 30 anos), Sebastião salvou muitos Cristão, levou fé e esperança para tantos outros, e converteu muitos pagãos, inclusive o governador de Roma Cromácio e o filho dele, Tibúrcio. A conversão de Cromácio se deu, então, após a cura operada por Sebastião, que em troca pediu que o governador abdicasse de toda e qualquer adoração aos Deuses "pagãos".
Séculos após a morte de Sebastião, em 680, quando seus restos mortais foram translandados de uma cidade à outra em Roma, cujo trajeto ocorria uma epidemia de peste - tão comum àquela época - a doença desapareceu desses lugares. Por conta desse milagre, foi atribuído a São Sebastião o título de Protetor contra a peste, e o Santo passou a ser venerado. É também o Protetor da Humanidade, dos feridos, dos enfermos de doenças contagiosas e contra a fome.

Além de Protetor, São Sebastião é o Padroeiro de diversas cidades brasileiras, sendo até feriado em muitas delas, como é no Rio de Janeiro:
Para quem é do Rio de Janeiro e quer ir a uma quermesse, a tradicional Festa de São Sebastião nos Capuchinhos se inicia às 5h da manhã e vai até as 18h, com a saída da procissão às 15h, e missa de hora em hora. A Festa encerra o ciclo novenário que se iniciou no dia 4 de janeiro, na Primeira Sexta-Feira do Ano. Para mais informações, acesse o site da Paróquia.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Oratório N° Srª da Conceição x Oxum

Este foi o segundo Oratório que finalizei, feito a pedido do amigo Elvis Paschoal, um Filho de Oxum. Para este, utilizei um oratório em MDF; com um corte diferente do outro, de São Jorge, pintei com tinta acrílica brilhante branca e rosa, decorei com rosinhas de tecido, strass sintético, pistilos, lacinho de cetim em forma de borboleta e pingentes cromados em formato de Oxum (do Candomblé) e de Abebè, o espelho que é tanto símbolo e ferramenta de Oxum quanto de Yemanjá, com a diferença que para uma há uma flor impressa e para a outra, uma estrela de cinco pontas.
 
Abaixo segue um texto de minha autoria, escrito e publicado inicialmente no Blog PatriciaDo, sobre a Orixá Oxum e seus sincretismos com várias Nossas Senhoras, especialmente Nossa Senhora da Conceição ;)
 
*****

Oxum é a mais amorosa das Yabás, tanto que é considerada a Orixá do Amor e da Benevolência. É também considerada a mais bela dentre as Orixás.
É a senhora das Águas Doces, dos rios e cachoeiras, que são seu Campo Santo de atuação, cuja vibratória é a do Elemento Hídrico.

Considerada a Deusa da Riqueza e da Fartura, todos os metais dourados a pertencem, especialmente o ouro, o mais nobre deles e o único a adornar uma rainha.

No sincretismo, Oxum é também a Nossa Senhora da Conceição, sincretizada pela Umbanda praticada no Rio de Janeiro e demais estados do Sul e Suldeste brasileiro. Na Umbanda da Bahia, Oxum é Nº Srª das Candeias e Nº Srª Aparecida, ambas com fortes ligações com as águas.

Oxum está presente na concepção dos seres, na água que transporta a semente, na água que sustenta o feto no ventre da mãe. Ela está presente nas águas da chuva, nos rios, córregos e nascentes, e em tudo que houve água, pois Água é Vida.

No Candomblé, Oxum recebe nomes com grafias levemente alteradas, como Òsun, Oshun ou Ochun. Foi o rio Osun, que atravessa as regiões de Ijexá e Ijebu, na Nigéria, que emprestou o nome à Orixá, que é a rainha da Nação Ijexá, reconhecida nas religiões brasileiras de matrix africana Batuque e Candomblé.

No Candomblé Bantu, ela é a Senhora da Fertilidade e da Lua; no Candomblé Ketu, é a Deusa das águas-doces, da gestação e da fertilidade. Por essas qualidades, Oxum é muito recorrida pelas mulheres que querem engravidar ou para pedir amparo ao bebê durante a gravidez.

É Oxum que cuida e protege das crianças pequenas, até o momento que elas começam a falar, enquanto Yemanjá é a Orixá que auxilia no parto, "amparando a cabeça dos bebês".

Na Santeria, é chamada Ochún, sincretizada com Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba. A Santeria é tal qual a nossa Umbanda, um conjunto de sistemas religiosos miscigenados entre o catolicismo e a religião yorubá. Significa "Caminho dos Santos" e é praticada em Cuba, República Dominicana, Panamá e EUA onde há maior população de afro-descendentes e latinos-americanos. Também é praticado isoladamente no Brasil, sendo muito semelhante ao nosso Candomblé.

Oxum é uma Orixá da Mitologia Yorubá, dos povos dos yorubás, das regiões da Nigéria do Togo, Serra Leoa e República de Benin, no continente africano. Ela se ramifica em 16 qualidades que recebem os nomes das cidades por onde passa o rio Osun:


  • OXUM ABALÔ é uma velha Òsun, de culto antigo, considerada Iyá Ominibú, tem ligação com Oyá, Ogun e Oxóssi, veste-se de cores claras, usa abebé e alfange.
  • OXUM IJÍMU ou Ijimú, é outro tipo de Òsun velha. Veste-se de azul claro ou cor de rosa. Leva abèbé e alfange, tem ligação com as Iyamís, é responsável por todos os Otás dos rios.
  • OXUM ABOTÔ também uma velha oxun de culto antigo, ligada as Iyamís, feiticeira, carrega abebe e alfange, tem ligação com Nanã, Oyá de culto Igbalé.
  • OXUM OPARÁ ou APARÁ seria a mais jovem das Òsun, e um tipo guerreiro que acompanha Ògún, vivendo com ele pelas estradas; dança com ele quando se manifestam juntos numa festa; leva uma espada na mão e pode vestir-se de cor marrom avermelhado. É a Senhora da Espada.
  • OXUM AJAGURA ou AJAJIRA , outra òsun guerreira que leva espada, jovem, tem ligação com Yemanjá e Xangô
  • OXUM YEYE OKE, Oxun jovem guerreira, muito ligada a Oxóssi, carrega ofa e erukere
  • OXUM ÌPONDÁ é também uma òsun Guerreira ligada a Ibuálàmò. Yeye Pondá é rainda da cidade que leva seu nome Ìponda, leva uma espada e veste-se de amarelo ouro e branco quando acompanha Oxaguiã.
  • OXUM OGA é uma òsun velha e muito guereira, carrega abebe e alfange
  • OXUM KARÉ é um osun jovem e guereira, ligada a Odé Karè, Logun edé.
  • OXUM IPETU é uma Oxun de culto muito antigo, no interior da floresta, na nascente dos rios, ligada a Ossaiyn.
  • OXUM AYAALÁ- é talvez a mais ancestral dentre todas, veste-se de branco, ligada a Orunmilá e as iyamis, considerada a avó.
  • OXUM OTIN - Osun com estreita ligação com Ínlè, ligada a caça e usa ofá e abebé.
  • OXUM IBERÍ, OXUM IBEJI OU OXUM MENINA, OXUM MERIMERI - Oxun nova, concentra a vaidade e toda beleza e elegância de uma oxun, dizem que era Oxum de Mãe Menininha do Gantois.
  • OXUM MOUWÒ- Oxum ligada a Olokun e Yemanjá, grande poder das iyamís, veste-se de cores claras e usa abebé e ofange.
  • OXUM POPOLOKUN - Oxum de culto raro, ligado aos lagos e lagoas.
  • OXUM OLÓKÒ OU OXUM DÔCO - Oxum guerreira , vive na floresta nos grandes poços de água, padroeira do poço. (Fonte: Blog Umbanda, Reino da Paz.)
Na cidade de Osogbo, na Nigéria, realiza-se anualmente o Festival de Osun, que existe desde tempos imemoriais da fundação da cidade, cuja história foi transmitida oralmente. Em Osogbo está o Templo de Osun, tornado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 2005.
Ligações esotéricas:
Dia: Sábado;
Data: 8 de dezembro;
Metal: latão e ouro, o bronze e o cobre;
Cor: amarelo;
Partes do corpo: todo o rosto, o baixo ventre, o baço; às vezes o coração; patrona do ventre; a terceira visão e a circulação sanguínea  (os rios);
Comida: omoolocum e banana fritas;
Arquétipos: calmos, carinhosos, desprendidos, vaidosos, volúveis, altruístas, sonhadores, muito elegantes apaixonados, por jóias, perfumes e vestimentas caras; símbolo do charme e beleza, sensuais, porém reservados, evitam chocar a opinião publicar à qual dão grande importância; sob sua aparência calma e sedutora, escondem uma vontade muito forte, um grande desejo de ascensão social.
Símbolo: abebê (leque feito de metal dourado).



Os Orixás são apenas parte de um prova contundente do quanto a Mitologia Africana é vasta, riquíssima e muito profunda. Seja uma figura mitológica, seja uma Força da Natureza, seja um rio, seja um Espírito de muita luz que ascendeu à perfeição divina, Mamãe Oxum está presente, em essência, nos lares harmoniosos, nos relacionamento de afeição sincera, nos corações amorosos e abertos ao bom e ao belo. Oxum é Vida e Amor, e isso se traduz em riqueza e prosperidade.

Ora iê iê ô ! (em yorubá)
Salve a Senhora da Bondade!